A ciência e as avaliações no futebol

(texto originalmente publicado no site futeboltotal.net.br)

A fisiologia é uma área do futebol que tem sua origem muito ligada à ciência. Pois, desde os primeiros estudos científicos na área do futebol, buscou-se compreender quais as características físicas de um atleta de futebol. Grande parte desses estudos utilizam avaliações transversais, e isso foi levado para a realidade do trabalho do fisiologista, que passou a realizar avaliações transversais com os atletas a fim de fazer comparações com os dados presentes na literatura científica.
Aqui no Paysandu S.C., vamos fechar esse ano com um total de 64 partidas. Se levarmos em consideração que no mês de dezembro temos férias, foi realizada uma pausa de 3 semanas nas competições em função dos Jogos Olímpicos e as competições se iniciam apenas no mês de fevereiro, estamos falando de aproximadamente 42 semanas de competição. Isso representa que em média, temos 3 jogos a cada duas semanas. Porém, vale ressaltar que dessas 65 partidas, 46 foram realizadas até o início de agosto.
Com essa realidade de calendário do clube, as sessões de treino se tornam extremamente escassas, e em sua grande maioria acabam sendo planejadas com enormes ressalvas que trazem restrições à sobrecarga física, cognitiva e psicológica das sessões de treino.
Por isso, achar o momento adequado para realizar as tão famosas avaliações dos atletas se torna algo muito difícil dentro desse calendário de competições. Quando existe essa data em que os atletas estejam em condições de ter o desempenho e o empenho demandado por essas avaliações, eu acredito que, geralmente, esse tempo pode ser mais bem aproveitado para aprimorar algum aspecto mais determinante de uma partida do que apenas avaliar alguma capacidade física dos atletas.
A primeira coisa que sempre questiono sobre qualquer dado a ser coletado sobre qualquer aspecto de uma equipe de futebol é: O que o clube vai fazer com esse dado? O dado nunca pode ser o fim de uma análise. Se, ao término de uma coleta e análise de dados, forem identificados dados fora do padrão e nenhuma intervenção foi feita para reverter esses dados em uma futura avaliação, então podemos concluir que estes dados não eram tão importantes assim. Portanto o tempo dedicado a essa análise muito provavelmente poderia ter sido dedicado a outros fatores de maior importância.
Claro que, como eu coloquei no texto anterior, uma análise não pode ser tão radical a ponto de que um simples dado descontextualizado seja determinante para alguma intervenção. Porém, deve-se ter a consciência de que o dado terá participação em alguma decisão tomada pelo clube de alguma maneira. Essa prática é sim muito comum nas equipes, porém algumas vezes me incomoda como alguns dados tomam proporções enormes de acordo com momentos e situações diferentes.
Dentro dessa realidade observada do mundo do futebol, eu acredito que o acompanhamento longitudinal do desempenho dos atletas de uma maneira a não prejudicar as sessões de treinamento da equipe seja a melhor maneira de se compreender as cargas e capacidades de cada atleta. A partir desse acompanhamento, ai sim algumas intervenções podem ser realizadas de modo a complementar alguma carga de treino que algum atleta tenha apresentado um desempenho menos satisfatório nas situações específicas de treino e jogos.
Eu não estou desmerecendo a importância da ciência na realidade desportiva, porém a estou posicionando como uma ferramenta de auxílio no dia a dia, não só da fisiologia desportiva, mas de todo o trabalho da comissão técnica. Aqueles que trabalham com o futebol devem estar sempre atualizados com o mundo científico para poder ter uma melhor compreensão da realidade de sua equipe e, assim, tomar medidas mais precisas para ajudar a equipe a obter o seu melhor desempenho, que consequentemente aproxima a equipe das vitórias.

André Gaspar, 26/10/2016



CLUBES QUE UTILIZARAM


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